Estudo
Influenciadores e apostas pelos olhos dos jovens
Um estudo qualitativo australiano ouviu adolescentes sobre celebridades e influenciadores em anúncios de apostas. Veja o que ele mostra e o que não mostra.
O que foi investigado
O estudo de Pitt e colaboradores ouviu 64 jovens de 12 a 17 anos em 22 grupos focais na Austrália. As conversas exploraram a exposição a anúncios com celebridades e social media influencers (SMIs) e a influência que os próprios participantes percebiam sobre atitudes em relação às apostas.
O objeto da pesquisa é a percepção dos jovens. Não se trata de um experimento que atribuiu anúncios a grupos, nem de um acompanhamento que mediu quem passou a apostar depois de uma campanha.
Quatro percepções recorrentes
A análise temática encontrou quatro ideias recorrentes:
- celebridades e influenciadores aumentariam o apelo e a lembrança dos anúncios por serem familiares e chamarem atenção;
- a associação com uma pessoa admirada daria mais confiança, legitimidade e aceitação social ao produto;
- a publicidade reduziria a percepção de risco das apostas;
- restrições ou proibições foram sugeridas como formas de diminuir esse impacto.
O mecanismo descrito é comunicacional: a pessoa conhecida funciona como atalho de familiaridade e credibilidade. Isso ajuda a explicar por que a mensagem pode ser recebida de maneira diferente quando aparece no feed de um criador, em comparação com um anúncio claramente identificado como publicidade.
Como interpretar o resultado
O estudo não calcula uma taxa de conversão, não identifica uma casa de apostas específica e não permite afirmar que um influenciador causou o comportamento de um adolescente. A amostra é australiana e qualitativa; suas conclusões não devem ser transportadas automaticamente para todas as plataformas ou para o Brasil.
Ainda assim, ouvir o público afetado é útil para avaliar políticas. Se jovens relatam menor percepção de risco e maior legitimidade, campanhas de prevenção precisam considerar a forma e o contexto da mensagem, além do conteúdo literal do aviso.
Implicações para prevenção
A Lei nº 14.790/2023 direciona a publicidade de apostas ao público adulto e veda marketing dirigido a menores. O estudo australiano não interpreta a lei brasileira; ele oferece evidência sobre por que a proteção por idade precisa incluir formatos nativos de redes sociais e a relação de confiança com criadores.
Uma avaliação de política deve acompanhar exposição, compreensão dos riscos e comportamento ao longo do tempo. Mensagens isoladas podem ser insuficientes quando a promoção comercial continua associando apostas a esporte, humor, pertencimento ou sucesso.
Leia também o mapa de publicidade e influenciadores e o índice de estudos.
Ficha da fonte
Como ler a evidência usada.
Os campos resumem o documento original e não substituem a leitura da fonte.
- Registro
- F008
- Título
- Young people’s views about the use of celebrities and social media influencers in gambling marketing
- Publicador
- Health Promotion International · Oxford University Press · PubMed
- Ano
- 2024
- Jurisdição
- Austrália · jovens de 12 a 17 anos
- Método ou natureza
- 22 grupos focais; análise temática reflexiva; n=64
- Identificador
- PMID 38341758 · DOI 10.1093/heapro/daae012
- Consulta
- 14 de setembro de 2026
